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Centenas de mulheres feirenses recuperam a autoestima com cirurgia de gigantomastia

Publicada em 19/12/2017 ás 16:02:28

Gigantomastia

 “Sinto dores, sofro preconceitos, minha autoestima é baixa!”. Esses foram alguns dos relatos das mulheres que participaram da 6ª triagem para a cirurgia reparadora de gigantomastia realizada, no último dia 14, no ambulatório do Hospital Inácia Pinto dos Santos (HIPS), o Hospital da Mulher. 

Com o intuito de serem operadas entre 2018 e 2019, cerca de 150 mulheres participaram do mutirão que ocorreu pela manhã na unidade hospitalar. Muitas delas que passam por dificuldades e sofrem com desconforto sonham em se submeter a cirurgia reparadora da mama, realizada através da mamoplastia redutora.
 
Dona de casa tem problemas por conta do tamanho das mamas desde a adolescência
A dona de casa Ana Lúcia Menezes da Silva, 48 anos, sofre com o tamanho dos seios, assaduras ao redor das mamas, dores na coluna e nos ombros desde a adolescência. Para ela, que já teve câncer de tireóide e cuida de um filho autista de apenas nove anos, a realização da cirurgia seria uma oportunidade para ter uma qualidade de vida.
 
“Faço tudo pelo SUS. Não tenho condições de fazer cirurgia particular. Minha esperança é passar nessa triagem e ser operada. Hoje eu procuro uma qualidade de vida para cuidar do meu filho. Não é pela estética, é pela saúde mesmo”, explica. 
 
Outra paciente, Karine da Silva Santos, 22 anos, soube da triagem através de uma amiga e foi para o hospital de manhã cedo. Ela relata que o tamanho dos seios prejudica bastante as suas tarefas diárias.
 
“Sinto muito dor nos ombros e na coluna pelo fato de um desvio [na coluna], ficando até com falta de ar. É desgastante ficar desse jeito. Tem vezes que não consigo nem levantar da cama e nem pegar meu filho de três anos”, desabafa a dona de casa, e acrescenta “confiar na seleção para fazer a cirurgia”.
Baixa autoestima interfere no estilo de vida
 
Além dos problemas de saúde, o psicológico de quem tem hipertrofia mamária também é afetado. A baixa autoestima é uma dos fatores que interfere no estilo de vida dessas pessoas. A empregada doméstica, Viviane Gonçalves, 35 anos, compareceu pela terceira vez para realizar a triagem no Hospital da Mulher. 
 
Ela, que percebeu o crescimento elevado dos seios desde os seus quatorze anos, relata que, além das dores, sofre preconceitos e as dificuldades não tiram a esperança de um dia sua vida e autoestima mudarem.
 
“Tenho vergonha dos meus seios, já sofri muito preconceito por conta das mamas, de ser chamada de ‘peituda’, de ‘vaca leiteira’. Minha autoestima baixa totalmente. Está sendo difícil, mas não desisto. Se eu conseguir esse privilégio de ter minhas mamas reduzidas vou ficar mais jovem, mais feliz, vou me sentir uma outra pessoa”, revela.  
Mulheres se sentem renovadas após cirurgia, observa especialista
 
O cirurgião plástico, César Kelly, coordenador do Programa de Tratamento das Gigantomastias Extremas do Hospital da Mulher, afirma que com a retirada do excesso das mamas “as mulheres se sentem renovadas e passam a ter uma vida muito melhor, uma autoestima e uma vida sexual completamente melhorada”.
 
Após o processo de triagem, as mulheres selecionadas passarão por mais duas etapas: a visita do assistente social até a casa das mesmas, e a realização de exames solicitados antes da cirurgia, como ECG (eletrocardiograma), hemograma, entre outros.  
Todo o custeio é por conta do Município; iniciativa única no país
 
Segundo Gilberte Lucas, presidente da Fundação Hospitalar de Feira de Santana (FHFS), os exames serão totalmente custeados com recursos próprios do município e as cirurgias selecionadas estão previstas para março de 2018.
 
“O apoio da Prefeitura por meio da Fundação é fundamental para a realização da operação, já que todo o custeio é cem por cento da gestão municipal”.
 
Apesar de ser uma cirurgia de rápida recuperação, é preciso seguir alguns cuidados após o procedimento, como: não levantar os braços e nem pegar peso no primeiro mês da realização da operação, orienta o cirurgião. César Kelly frisa que esse é o único programa institucional no Brasil que faz o tratamento das mamas gigantes. 
 
“Começamos desde 2011 graças ao apoio da Prefeitura Municipal de Feira de Santana, da Fundação Hospitalar e de outros hospitais que na época participaram. Aqui na Bahia a procura é muito grande. Já operamos quase 200 pacientes, mostrando a necessidade pública de solucionar esse problema. Acreditamos que seja um exemplo para outras prefeituras, outros Estados para que organizem seus próprios programas”, ressalta.
 
O cirurgião ainda afirma que o problema já é considerado de saúde pública e que o programa apresenta o diferencial de proporcionar apoio às mulheres. “Reconhecemos que essa cirurgia devolve a autoestima. É um programa que queremos cada vez mais expandir para atender outras mulheres”.
 
Autor/ Créditos: Redação

 

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