
A população de Feira de Santana está sendo convidada a participar de uma grande corrente de solidariedade em defesa do aleitamento materno. Neste domingo (30 de agosto), a Prefeitura de Feira de Santana, por meio da Fundação Hospitalar, realiza a Caminhada em Prol do Aleitamento Materno, encerrando a programação do Agosto Dourado.
Para participar, basta doar 1 quilo de alimento e receber a camisa da caminhada. A concentração será às 7h, em frente ao Shopping Avenida, na Avenida Nóide Cerqueira.
Mais do que uma mobilização em defesa da saúde materno-infantil, a iniciativa pretende chamar a atenção para a importância da amamentação e da doação de leite humano, alimento essencial para a recuperação e o desenvolvimento de recém-nascidos prematuros e de baixo peso internados no Hospital Inácia Pinto dos Santos (Hospital da Mulher).
A enfermeira Isolda Gume, da assistência do Banco de Leite Humano (BLH) do Hospital da Mulher, destaca a importância da participação da comunidade e de toda a sociedade organizada de Feira de Santana.
“Com um quilo de alimento, cada um de nós pode fazer a diferença”, afirmou.
Segundo Isolda, o Banco de Leite Humano mantém durante todo o ano ações de incentivo à doação, incluindo visitas domiciliares para a captação de leite humano. O trabalho é fundamental para garantir o estoque e o abastecimento do chamado “alimento ouro”, destinado aos recém-nascidos internados.
Estoque ainda está abaixo do necessário
A enfermeira explica que a quantidade de leite disponível no Banco de Leite varia de acordo com as doações recebidas diariamente e semanalmente.
Atualmente, o BLH possui cerca de 219 litros de leite humano em estoque, volume considerado preocupante diante da demanda. Para atender com segurança aos recém-nascidos assistidos pelo serviço, seriam necessários, no mínimo, 400 litros.
“A nossa luta é diária e a quantidade de estoque varia de acordo com as doações internas diariamente e externas semanalmente. Atualmente, o BLH tem cerca de 219 litros de leite, o que nos deixa apreensivos, porque é necessário no mínimo 400 litros de leite humano para abastecer a nossa demanda dos recém-nascidos”, explicou Isolda Gume.
Cerca de 30 bebês nascem diariamente no Complexo Materno Infantil
O desafio ganha ainda mais importância diante do fluxo de atendimento do Complexo Materno Infantil do Hospital da Mulher. De acordo com Isolda Gume, cerca de 30 bebês nascem diariamente na unidade. Desse total, aproximadamente 11,7% são prematuros ou prematuros extremos e podem necessitar do leite humano doado pelo Banco de Leite.
Além do fornecimento do leite, as mães recebem assistência especializada das profissionais do serviço, incluindo orientações sobre o manejo da mama e a pega correta do bebê.
“O leite materno é necessário pelo menos até os seis primeiros meses de vida. Além de fortalecer o vínculo com o bebê, ainda traz muitos benefícios para as crianças, porque ele é um alimento completo”, ressaltou a enfermeira.
Leite doado ajuda bebês internados
A coordenadora do Banco de Leite Humano do Hospital Inácia Pinto dos Santos, Nadja Vieira, explica que entre os principais receptores do leite doado estão os recém-nascidos internados no bloco neonatal do Complexo Materno Infantil.
Segundo dados do BLH, de janeiro a junho de 2026, 70 recém-nascidos prematuros receberam leite humano doado. No mesmo período, o serviço também distribuiu leite para 46 bebês de baixo peso, além de atender recém-nascidos em diferentes condições clínicas, incluindo casos de infecção bacteriana, infecção congênita e perinatal e distúrbios endócrinos e metabólicos.
“Nós acompanhamos situações diariamente que nos colocam à frente da assistência com a equipe médica e multiprofissional”, destacou Nadja Vieira.
Mães encontram apoio e esperança no Banco de Leite
Para a feirense Thaísa Vitória Santos Soares, de 22 anos, moradora do bairro Mangabeira e mãe do segundo filho, a experiência de amamentar desta vez tem sido diferente.
Mãe de um bebê prematuro, nascido no dia 2 de agosto, ela conta que enfrentou dificuldades para amamentar a primeira filha e acabou desistindo. Agora, com o apoio recebido no Hospital da Mulher, conseguiu superar as dificuldades e também se tornou doadora.
“Para mim, amamentar é dar vida ao meu filho e ter a oportunidade de doar hoje é dar vida para outras crianças também. Eu tive dificuldades para amamentar minha primeira filha, mas dessa vez estou encontrando o suporte necessário para amamentar aqui no Hospital da Mulher”, relatou.
Thaísa afirma que recebeu assistência das profissionais do Banco de Leite desde as primeiras horas após o nascimento do filho.
“Cometi um erro da primeira vez porque não procurei ajuda e sofri sozinha. Agora não. Eu pedi ajuda do BLH e hoje já estou conseguindo amamentar o meu filho e doar para outras crianças”, contou.
Outra história de esperança é a de Gorete de Almeida Barbosa, de 26 anos, moradora de Rafael Jambeiro e mãe de primeira viagem. O filho está internado na UTI neonatal, enquanto ela permanece na Casa da Puérpera, próxima ao bebê.
Como o recém-nascido ainda não pode mamar diretamente no seio, o leite humano fornecido pelo Banco de Leite tornou-se fundamental para sua alimentação.
“Para mim só tenho gratidão. Nesse momento, meu filho recém-nascido está internado na UTI neonatal recebendo todos os cuidados médicos e eu estou na Casa da Puérpera, próxima ao meu bebê, e isso me conforta. Ele está sob dieta medicamentosa e não pode mamar diretamente no meu seio ainda, mas através do Banco de Leite eu posso alimentar o meu filho e doar para outras crianças recém-nascidas que se encontram na mesma situação do meu filho. Para mim é muito gratificante doar”, enfatizou Gorete.
Banco de Leite atende de segunda a sábado
O Banco de Leite Humano do Hospital da Mulher oferece atendimento especializado às mães que precisam de orientação sobre amamentação, manejo da mama e doação de leite humano.
Com a ampliação do atendimento aos sábados para mulheres da comunidade externa, a expectativa da Fundação Hospitalar é aumentar o número de doadoras e, consequentemente, o volume de leite disponível para os recém-nascidos internados que dependem desse alimento.
Qualquer mulher saudável, que esteja amamentando e tenha produção de leite excedente, pode ser doadora. Uma única doação pode beneficiar vários bebês prematuros e de baixo peso.
A mobilização pretende transformar solidariedade em alimento e conscientização. Para o Banco de Leite Humano, cada doação representa mais do que alguns mililitros de leite: significa esperança e uma chance a mais de vida para recém-nascidos que precisam desse alimento para se desenvolver e se recuperar.