Para quem dedica tempo, trabalho e, muitas vezes, recursos próprios para cuidar de animais abandonados, doentes ou vítimas de maus-tratos, a implantação da Clínica Pet em Feira de Santana representa mais do que a chegada de um novo serviço público. É o reconhecimento de uma luta que há anos mobiliza entidades, protetores independentes e pessoas que se dedicam voluntariamente à causa animal, contando também com a solidariedade da comunidade.
O anúncio da implantação foi feito pelo prefeito José Ronaldo, na manhã desta terça-feira (28). A Clínica Pet funcionará na Rua Barão de Cotegipe, nº 802, no Centro, e terá atendimento destinado a cães e gatos de tutores de baixa renda e de unidades de proteção animal instaladas no município.
Para a presidente da Associação Protetora dos Animais de Feira de Santana (APA), Sandra Lima, a implantação da Clínica Pet representa uma conquista aguardada há décadas por quem atua na proteção animal. Segundo ela, são quase 25 anos de mobilização para que a causa recebesse um olhar mais sensível do poder público.
“A gente vem batalhando por um olhar sensível das autoridades à causa animal há bastante tempo. São quase 25 anos de luta, e agora chegou o momento de ser visto”, afirma.
Entre os serviços que serão disponibilizados na Clínica Pet estão castração de cães e gatos, consultas, curativos e outros procedimentos, coleta de sangue para exames laboratoriais, vacinação, vermifugação e orientações para prevenção de zoonoses. O espaço também deverá orientar os tutores sobre adoção responsável e os cuidados necessários para garantir mais qualidade de vida aos animais.
Para Sandra Lima, o excesso de cães e gatos nas ruas passou a representar também um problema de saúde pública, especialmente diante da reprodução descontrolada e dos riscos associados ao abandono. “Essa situação de abandono e maus-tratos se agravou nos últimos anos e deixou de ser uma questão restrita às pessoas que se dedicam à proteção dos animais”, acrescenta.
Ela destaca ainda a importância da castração como ferramenta para reduzir a reprodução e, consequentemente, o número de animais abandonados. “A partir do momento que a gestão pública vê a causa animal com olhar diferenciado, os problemas tendem a diminuir. Isso é só uma questão de tempo”, avalia.
Atualmente, a APA mantém cerca de 250 animais abrigados. O trabalho, segundo a presidente, é realizado de forma gratuita e depende da mobilização de pessoas sensibilizadas com a causa.
“Essa clínica vai melhorar a qualidade de vida dos animais. É o início da solução para um problema na cidade. Muito mais longe estivemos, e sabemos que esse problema não será resolvido como em um passe de mágica. Teremos mais tranquilidade para atuar”, afirma.
Atendimento mediante cadastro
O acesso aos serviços da Clínica Pet será organizado por meio de cadastro, que reunirá informações do tutor e do animal. Após essa etapa, o atendimento será agendado pelos canais oficiais. Na data marcada, o tutor deverá levar o animal à unidade, acompanhado da documentação solicitada.
As informações sobre o atendimento ficarão registradas no prontuário do animal, permitindo o acompanhamento do histórico e a indicação de retorno ou novas orientações, quando necessário.
“O projeto da Clínica Pet vai muito além do cumprimento de um compromisso de campanha. É uma iniciativa que está sendo materializada com planejamento e responsabilidade. A escolha do imóvel, localizado no centro da cidade, foi pensada para garantir maior acessibilidade às pessoas. Nada é feito de forma improvisada: existe um planejamento conjunto com a Secretaria de Saúde para definir a melhor logística e estrutura para o funcionamento do serviço”, afirmou o secretário municipal de Saúde, Rodrigo Matos.
O veterinário Luciano Muritiba destacou que a iniciativa também amplia a assistência a animais que vivem nas ruas ou pertencem a famílias em situação de vulnerabilidade. “Existem muitos cães e gatos errantes e também animais pertencentes a famílias em situação de vulnerabilidade que não têm acesso adequado a atendimento, vacinação e castração. A Clínica Pet chega para fortalecer essa assistência, contribuindo para a saúde pública e para a proteção animal”, afirmou.
Para o veterinário, a atuação conjunta entre o poder público, organizações e protetores é fundamental para ampliar os cuidados. “É uma iniciativa que, junto às ONGs e aos protetores, pode fechar um importante ciclo de cuidado com os animais do município”.