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Saúde capacita profissionais para fortalecer diagnóstico e notificação de chikungunya em Feira de Santana

Atualização reforça a importância da qualidade das notificações, da investigação laboratorial e do manejo adequado dos pacientes diante do cenário epidêmico da doença

Redação
Por: Redação
16/10/2026 às 10h45
Saúde capacita profissionais para fortalecer diagnóstico e notificação de chikungunya em Feira de Santana
Foto: Divulgação - SMS

A Secretaria Municipal de Saúde intensificou a atualização dos profissionais das redes pública e privada sobre o diagnóstico, a notificação e o manejo de pacientes com suspeita de arboviroses. Nesta quinta-feira (15), a Divisão de Controle Epidemiológico deu continuidade ao ciclo de capacitações voltado à chikungunya, com foco na preparação dos serviços de saúde diante do cenário epidêmico da doença em Feira de Santana.

De acordo com Sandréa Costa, referência técnica da Vigilância Epidemiológica, a programação contemplou profissionais da atenção básica, média e alta complexidade. Nesta última etapa, a atualização foi direcionada às equipes da atenção básica.

“Estamos diante de um cenário de aumento de casos de chikungunya e precisamos preparar a rede para receber a população. O controle vetorial está fazendo a parte dele, mas, para que as equipes atuem de forma direcionada, precisamos das notificações realizadas pelos profissionais de saúde. É a partir dessas informações que conseguimos identificar os locais com maior concentração de casos e intensificar as ações de controle”, explica.

Entre janeiro e setembro deste ano, foram notificados 1.765 casos de Chikungunya no município, sendo confirmados 1.027. No ano passado, em igual período, foram 29 notificações com 18 casos confirmados. 

Segundo Sandréa, entre as áreas que demandam atenção estão os bairros Queimadinha, Tomba, Mochila e Cidade Nova, onde os registros contribuem para orientar o trabalho dos agentes de combate às endemias. 

PREENCHIMENTO DAS NOTIFICAÇÕES

Durante a capacitação, os profissionais receberam orientações sobre o preenchimento correto das fichas de notificação, com atenção a dados como endereço completo, bairro, data de início dos sintomas e manifestações clínicas apresentadas pelo paciente.

A qualidade dessas informações é fundamental para identificar a distribuição dos casos e planejar as ações de combate ao Aedes aegypti, mosquito transmissor da chikungunya, dengue e Zika. Endereços incorretos ou incompletos, por exemplo, podem dificultar a identificação das áreas prioritárias para as intervenções das equipes de campo.

“Não basta apenas notificar. É necessário que as informações estejam corretas e completas, porque cada dado contribui para a tomada de decisão. Precisamos saber onde o paciente mora, quando os sintomas começaram e quais manifestações ele apresenta para direcionar melhor as estratégias de controle”, ressalta a referência técnica.

INVESTIGAÇÃO LABORATORIAL

A atualização também abordou a importância da coleta oportuna de exames laboratoriais para auxiliar na diferenciação das arboviroses, especialmente porque algumas manifestações clínicas são semelhantes.

Conforme as orientações da Vigilância Epidemiológica, a coleta de sangue para o exame RT-PCR é indicada do primeiro ao quinto dia após o início dos sintomas. A partir do sexto dia, a investigação pode ser realizada por meio de exames sorológicos, conforme a indicação clínica e os protocolos vigentes.

Em Feira, a coleta para investigação laboratorial das arboviroses é realizada nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), no laboratório do CSE (Centro de Saúde Especializado, na rua Francisco Martins, Ponto Central, e nas policlínicas. As amostras são encaminhadas ao Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN).

SINTOMAS E MANEJO

Sandréa Costa também destacou as manifestações características da chikungunya, especialmente as dores intensas nas articulações, que podem atingir mãos, punhos, tornozelos e ombros, frequentemente de forma bilateral, além de inchaço nas articulações. Febre, dor de cabeça, dores musculares, náuseas e manchas na pele também podem ocorrer nas arboviroses.

“Apesar das diferenças entre as doenças, a apresentação dos sintomas pode variar. Por isso, a avaliação profissional e a investigação laboratorial são importantes para orientar a assistência e as medidas de vigilância”, afirma.

A orientação da Saúde é que pessoas com sintomas compatíveis com arboviroses procurem uma unidade de saúde para avaliação, notificação, realização de exames quando indicados e início do manejo adequado, incluindo hidratação e acompanhamento clínico.

“As arboviroses podem evoluir rapidamente para quadros de alerta e gravidade. Uma pessoa que hoje apresenta sintomas leves pode piorar em pouco tempo. Por isso, é fundamental procurar uma unidade de saúde, garantir que o caso seja notificado, realizar os exames indicados e seguir as orientações dos profissionais”, alerta Sandréa, reforçando a importância da hidratação adequada.

PREVENÇÃO

Além da assistência aos pacientes e da vigilância dos casos, a população deve manter os cuidados para evitar a proliferação do Aedes aegypti. Entre as principais medidas estão eliminar recipientes que acumulem água, manter caixas-d’água e reservatórios tampados e realizar a limpeza periódica dos locais utilizados para armazenamento. O uso de repelentes também é essencial.

Embora os períodos mais quentes e chuvosos favoreçam o aumento das arboviroses, Sandréa ressalta que o crescimento dos casos de chikungunya está acima do esperado para a sazonalidade. O cenário exige atuação integrada dos serviços de saúde, das equipes de controle vetorial e da população para fortalecer a prevenção e conter a transmissão da doença.

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